quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Poema Sujo
Poema Sujo
Ferreira Gullar
“ O homem está na cidade
como uma coisa está na outro
e a cidade está no homem
que está em outra cidade
mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore
está em qualquer outra
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo rolando longe dela)
O homem não está na cidade
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia
a cidade está no homem
mas não da mesma maneira que um pássaro
(a imagem dele)
estava na água
e nem da mesma maneira
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo
a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa
cada coisa está em outra
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma
a cidade não está no homem
do mesmo modo que em suas
quitandas praças e ruas”
terça-feira, 9 de setembro de 2014
O guerreiro da Luz
O guerreiro da luz contempla as duas colunas que estão ao lado da porta que pretende abrir. Uma se chama Medo, outra se chama Desejo.
O guerreiro olha para a coluna do Medo e ali está escrito: “Você vai entrar num mundo desconhecido e perigoso, onde tudo que aprendeu até agora não servirá para nada.”
O guerreiro olha para a coluna do Desejo e ali está escrito: “Você vai sair de um mundo conhecido, onde estão guardadas as coisas que sempre quis, e pelas quais lutou tanto.”
Como explicar a grandeza do oceano ao sapo que está dentro do poço?
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