ais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada... Quando a gente sente dor o mundo inteiro desaparece. Nada interessa. O que faz doer nem sempre tem causa aparente. Dor é um acontecimento sem datas. Prolonga-se no tempo e contraria todas as regras dos argumentos.Eu não sei o que dói. Eu não sei quando começou doer. O que sei é que a dor é a identificação mais profunda da condição humana. Dela é que nasce a expressão do cuidado. Dores não conhecem o tempo. Chegam quando querem. Elas se acomodam nos cantos da alma, nos centros das carnes e ficam. Dores criam esquinas inesperadas. Não sabemos dar nome ao que nos faz sofrer, soframos abraçados aos que nos amam de verdade. ( Fábio de Melo). Dor não tem jeito de explicar. Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente. Enquanto a dor está doendo, meu corpo -não minha cabeça- sabe o que ela é. Passada a dor, ela fica na memória. Passa a morar no passado. Mas isso que está na memória não é conhecimento da dor porque o passado não dói. A memória da dor, por terrível que tenha sido, não me dá conhecimento da dor, depois que ela se foi. A dor é assim mesmo. Invisível, porém, real como poucas coisas são.
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